O buraco se abriu infinito, ocupando todo o som do vazio
Todo aquele barulho do nada que habitava antes escondido se expandiu para um novo horizonte.
O mar temperado e suas águas silvestres, selvagens campestres perambulando pela superfície turva.
O mar sequer calculou o tamanho da sua ingratidão pelo sal.
Pelo sol, apenas sorria vez ou outra quando a alegria fazia presente. O buraco se abriu infinito de cores amargas que escorriam pela garganta chorosa de pavor pelo incolor arco-íris.
A atmosfera que semeava a fome pelo vento, pelo ar desconcentrado que vagava ora aqui ora por lá, comprimida em sua alma vil despediu-se dos gritos que carregava em sua sacola de sonhos. Pobre atmosfera.
A atmosfera que de nada era tão bela, percorria pelo tempo, carregada pelo maltrapilho vento inútil que poluía sua beleza com cores amargas e soluços espalhafatosos. Pobre atmosfera.
O buraco abriu-se infinito bem no meio da curta calça de linha preta que vestia desde abril aquele homem que pensava existir nas horas vagas. Este, abria os olhos para enxergar um amor, cavando com suas próprias unhas um buraco onde pudesse enterrar suas magoas e as cores amargas do incolor arco-íris onde em seu lugar não era possível existir sequer um único pote de felicidades, perdia seus dedos.
Este, sorria amareladamente de encontro as nuvens como um louco sorri para sua parede rabiscada de enigmas paranóicos. Ele apenas insistia e perdia seus dedos.
O buraco se abriu infinito, das coisas que sofriam por serem chamadas de "longe", agora eram ocupadas do que ora denominavam-se "distantes".
E tudo permanecia fora do seu devido espaço, do seu tempo e das palavras.
Das palavras, pobres palavras...
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Se Abriu Infinito...
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Eduardo Santos
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Cores...
Cores, cores e cores...
Cores dos olhos da pele do branco da neve que segue sem planos
Cores da vida e a ferida tatuada com a estampa dos sonhos
Dores, dores e dores...
Dores da fome da hóstia pesando nos ombros do palido peito
Dores do grito e o suspiro gemido partindo pro choro do sono.
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Eduardo Santos
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PODE ATÉ, PODE SER, PODERÁ E SERÁ
Pode ser que não será legal
Morar com você lá em Senegal
Pode ser que vai ter tudo a ver
Ficar juntos nú vendo T.V
Pode até liquidificador
Gritarei um blues para o meu amor
Pode até, pode ser, poderá e será
As cores permanecerão no mar
Será que você não vai pensar
Depois de amanhã se vou mudar
Poderá ficar comigo sim
Sempre perto e não longe do fim
Pode até, pode ser, poderá e será
Tudo ficará no seu lugar
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Eduardo Santos
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Devaneio nº31
Não sei Não sinto
Às vezes medo
Às vezes frio
Não soube
Não tive
Às vezes ouvi
Talvez o medo
Um dia
Uma vida
Quem sabe
Quem sabe
Sentado
Descalço
Pelos pés
Pelas mãos
Tenho fome
Tenho sede
Por você
De amor
Sofri às vezes
Sorrirei para sempre
É saudades
São pedaços
Pequenas bolhas de sabão
Não sei medo, não sei frio.
Não sinto o soube, não tive ouvi.
Talvez o medo, um dia sabe.
Uma vida sentado pelos pés.
Pelas mãos, fome da sede por você.
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
Inexplicavél Nós.
Inexplicável nós.
Incansáveis e incessantes despejos de meteoros ortográficos sobre a alma.
Se não houvesse amor o que seria?
O que seria do que faço ou do que penso a respeito da minha vida?
Em mim, o que desejaria agora se não fosse parte minha?
Inexplicável nós.
O que desata essa vontade de sofrer por aquilo que não existe?
Como se não bastasse o caminhão de sonhos inventados.
O tempo não espera uma resposta, faz apenas perguntas.
Se ficar cicatrizes pelo caminho, aquilo em que acreditamos realmente há de curar?
Inexplicável nós.
Saudade pela ausência de sentimentos.
Ou será apenas o excesso que lhe fez crer no amor?
O paradeiro da verdadeira felicidade existiu algum dia ou será o medo que lhe fez temer a dor?
Inexplicável nós.
Atados, moldados, censurados e ressentidos.
Os perdões pelas palavras desatadas serão bem vindos.
As estrelas pelas noites desencantadas ainda vão cadenciar uma dança.
Em mim, o que desejaria agora se não fosse parte minha?
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sexta-feira, 17 de abril de 2009
MANIFESTO-ME
Manifesto-me, pelo suor que escorre em minha testa, e não me traz um sorriso nos dias de Holerites.
Manifesto-me, pela ressaca da crise que não sacia meus olhos com boas novas.
Manifesto-me, contra a cultura televisiva, suas falas e bundas decoradas pela decadência da arte. Manifesto-me, por acordar e não poder espreguiçar meus braços para uma nova luta contra a irracionalidade dos estigmas governamentais.
Manifesto-me pelo nordeste, contra os coronéis do agreste e suas botinas que não calçaram os sertanejos após suas vitórias.
Manifesto-me, por e-mails de correntes que alimentam minhas esperanças e torram o saco dos meus quinze amigos que ficam a questionar minha saúde mental.
Manifesto-me, pelos horizontes de montanhas que nunca irei observar, pelos mares que jamais ousarei sonhar em navegar.
Manifesto-me, pelas cachaças e petiscos que meu bolso não vão poder provar, e pela carne de segunda que meu estômago necessita para respirar.
Manifesto-me, pela loucura, pelas dores, pelos caminhos e contra os sopapos que levei na cara. Manifesto-me por não ter sido um astro do rock, por não ter nascido em 1948 e por não ter tocado no festival de Woodstock.
Manifesto-me, contra meu eu, contra mim mesmo e contra minha cara que necessita se mostrar idiota diante do espelho.
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sábado, 28 de fevereiro de 2009
SEGUNDOS PASSADOS...
Para ter um céu azul, limpo e com nuvens espalhadas preciso lembrar os segundos passados... Uma noite inteira de estrelas e um fino vento delimitando todo corpo sedento de amor são segundos passados...
Milésimos de centésimos que se multiplicam pelos grãos de areia escondem nossos sorrisos, nossas caixas de surpresas secretas.
Cada vez mais me atiro ao chão inalcançável de paixão por você.
Por mais distante que seja a estrada que inventamos de percorrer o tempo parece ser apenas segundos passados...
Bananeiras e casinhas com mais pés de bananeiras e o vento a nos delimitar, nossos segundos...nossa eternidade por segundos apenas...
Cada beijo, cada abraço e cada pão com nossa melhor margarina é especial feito de toques, divino toque que tras o escopo de nossa missão.
O céu nunca foi tão azul, meus olhos nunca se atreveram a ser tão azuis como são ao encarar os teus.
Os segundos jamais desistirão de comemorar nosso presente, cada vez mais você...passam os segundos e minha alma sofre dessa enfermidade de estar longe de você por alguns segundos passados...
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008
CRIPTOGRAFIAS DE UMA GARRAFA PET
Pela janela, voa em minha direção o vento
Sua brisa sussurra o nome que suaviza e acalma a irritação do meu espirito.
É como se meu corpo atravessasse uma garrafa pet de coca-cola.
Juntos, meus olhos tambem silênciam as paredes construidas em minha garganta, sem gritos ou troca de olhares, eu me sento no meio fio e peço por uma noite tranquila, onde exista espaço apenas para você, em meus sono e em meus sonhos.
Alma embriagada de amor, que cura as dores com cachaça, ressaca e palavrões desperdiçados entre ouvintes desconhecidos.
Areia mastigada, castiçais de desejos iluminados e um brinde para seguir nossos destinos.
Criptografadas, as palavras escondem aquilo que todos já sabem, meu coração anti-tétano.
Uma garrafa pet incapaz de magoar as aguas das correntezas absurdas de nossas vidas.
Em frente a janela, esvazio meus ouvidos e já não sinto frio.
Meu desejo é teu sonho maior, minhas palavras são tuas conclusões e minha garrafa pet, um despejo de ansiedade em minha alma.
Criptografias, anagramas, e caixas de pandora são utensílios basicos de qualquer necessárie.
Hoje só restou insonia e vontade de nunca te perder.
Um abraço para reconhecer nossos espiritos e um cobertor para aquecer nossos pés.
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domingo, 26 de outubro de 2008
CÓSMICO TEMPO
O tempo é a vida em movimento
Um copo que atira ao chão, tem por encerrado, seu tempo.
A distancia entre a vida e a morte é o tempo
Encerram-se os movimentos no breve instante em que se pára de respirar.
A ampulheta do tempo é um vírus em minhas veias
Que irrita meus olhos perante o sol.
A calmaria que ocupa as ruas numa madrugada de segunda-feira é o vazio cósmico do tempo-movimento.
São cachorros calados, bêbados desmaiados a voz do estômago vazio de um mendigo, pagando pelo erro da reencarnação.
Tempo, que tempo que estoura as lâmpadas do poste?
Tempo, que tempo que me atira as laminas da sorte?
O tempo é a vida em movimento
Um corpo que se atira ao chão, tem por encerrado seu tempo.
A distancia entre o corpo e a vida, é a morte em seu tempo.
Num breve instante, para, respira e cerram-se os olhos perante os movimentos.
O sol tenta ser a ampulheta que conta o tempo, os olhos conta-gotas de sangue a contra gosto em minhas veias.
Segunda-feira de madrugada, cósmica calmaria que ocupa os movimentos do tempo.
Observam os mendigos, permanecerem calados os bêbados encarnados e seus cachorros desmaiados com os estômagos vazios.
Tempo, que tempo que me atira as laminas da sorte?
Tempo, que tempo que estoura as lâmpadas do poste?
A vida em movimento, há vida em movimento.
A tempo entre a distancia, há tempo entre a distancia.
A vida, há morte.
Tempo, calmaria e suas catedrais vazias de bêbados desmaiados.
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008
SOBRE O AMOR, O QUE PENSO É VOCÊ...
O amor é uma pedra no meu sapato que caleja meu calcanhar
e machuca minha saudade por você.
O amor é um sujo pedaço de pano de prato que sufoca
minhas vontades.
O amor é a parede da geladeira, um quadro de frutas mal colocado
na parede da cozinha que insisto em arrumar.
O amor é a agua da fonte, um banquinho em frente a quadra, domingo
futebol e um abraço bem apertado.
O amor é uma panela de barro no fogo cheirando a miojo queimado,
fumaça que me alucina.
O amor é uma fita vermelha contra mau olhado
que não evita meu cansaço, nem me causa inflamação.
O amor é um três quilos de nada dentro de uma sacola furada
não tem peso nem medida, nem tem cor nem tem sabor.
O amor é uma cadeira que balança minha fome, meu sorriso
é um copo de nescau, manteiga, pão pullman e sua mão pelo meu rosto
O amor é o desejo alucinado de passar a eternidade ao teu lado.
O amor é uma enferrujada faca de pedra que não corta mas penetra, que não
deixa cicatrizar e não me deixa levantar.
O amor é um fino da bossa, um espinho de rosa
que me arranha a garganta quando a sede pede um beijo.
O amor é uma cama que acolhe meus desejos, tira meus pesadelos
e assassina o infinito eterno da minha saudade.
O amor é meu rock and roll embolado com tua carência pelo jazz
e a luz do branco e do vermelho das velas.
O amor é tomar o café na manha da saudade bem quente
do abraço do amargo gosto de guarda-chuva.
O amor é um vicio, uma vodka,kiwi, morango e abacaxi,
uma luva que me cobre quando sinto frio e desejo de você
O amor é um violão birrento na beira da praia, de madrugada
duas caras viradas, e a manifestação da paixão pela manha.
O amor é um Conchiglione, chopps, são crianças cansadas no metro
fechado, lá no anhangabau, coca-cola, soda, fanta e uma estatua humana de Eça de Queiroz.
O amor é uma parada cardíaca na sala de cirurgia
quando não sinto tua mão me acalmar
O amor é uma partida de carro quebrado no transito
do nosso trabalho, sem gasolina pra gente beber.
O amor é uma briga na sala ou no quarto, é uma barraca
de supermercado que abriga nossos filmes de terror.
O amor é um litro de agua na cara, algumas pancadas de carinhos
um rio de alegria, um rio de alegrias.
O amor são as palavras que saem aos avessos são os travesseiros
molhados com nossas ideias sobre o sexo
O amor é um quintal de esquina, com seus saquinhos de pipocas de
microondas, depois da nossa sessão.
Com você eu ensaio as palavras
Você é o que eu penso sobre o amor.
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Eduardo Santos
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